A relação entre o humano e o diabólico em Fausto, de Goethe, e A Igreja do Diabo, de Machado de Assis
| dc.contributor.advisor1 | PEREIRA, Marcos Paulo Torres | |
| dc.contributor.advisor1Lattes | http://lattes.cnpq.br/7467826617837279 | |
| dc.contributor.advisor1orcid | https://orcid.org/0000-0001-7769-7940 | |
| dc.creator | GONÇALVES, Mayke Willy Gomes | |
| dc.creator.Lattes | http://lattes.cnpq.br/4062486004294955 | |
| dc.date.accessioned | 2026-08-17T18:10:58Z | |
| dc.date.issued | 2023-04-14 | |
| dc.description.abstract | At first an angelic creature, the Devil acquired, throughout the Middle Ages, through the Western imagination, amazing and animalistic aspects, in addition to the status of a powerful being who antagonizes God and persecutes men. However, from the 17th and 18th centuries onwards, his image, previously inflated and spread by fear, began to be undermined by the rationalist ideal of the Enlightenment, being portrayed, in the literary sphere, as a decadent creature, with a humanized appearance that, sometimes, tries to get to know the man and dialogue with him. It is through the myth of Faust, that Satan, under the nomenclature of Mephistopheles, gains his resignification of him. This work has, therefore, the objective of analyzing two representations of the Mephistophelian Devil in two literary works of the 19th century, these being “Faust”, by Goethe, and “The Devil's Church”, by Machado de Assis, emphasizing the physical aspects and morals that make up the being that personifies Evil, and that show its intimate relationship with the elements that qualify man. To do so, we take as a theoretical basis the deals presented to us in “Symbolism of Evil”, by Paul Ricoeur, starting from the concepts of “stain”, “sin” and “guilt”; in addition to the conceptions of “divine influences” and “diabolical influences”, postulated by Vilém Flusser (1965) with regard to human actions. Mephistopheles, painted by the hands of Goethe in the work “Faust”, despite his first animalistic appearances, finally manifests himself as a human being for the protagonist of the story. A diabolical being in his ability to persuade, the Goethian Mephistopheles signs a pact with Faust, establishing between them such complicity that it leads man to doubt his own nature, unable to affirm his acts as works of demonic influence, or fruits of his own will. Machado's Devil, in turn, inspired by Goethe's Mephistopheles, is also a being who knows worldly pleasures, although he is completely oblivious to human contradiction. Aiming to attract “Fausts” to himself, the Devil creates a doctrine based on the subversion of the seven deadly sins, which is widely accepted by men. The machadian Devil's deceit stems, however, from the belief that humanity is and has always been evil, and from the imposition of its dogmas above the human will. At the end of the plot, Satan becomes aware that man, endowed with free will, although he is not a completely good creature, is also incapable of being solely evil. What is concluded with this work is that no matter what form the Devil takes, whether as a monstrous creature, as a seductive philosopher, or a simple idea, he is an integral part of the western man's consciousness. He is the reflection of his most vile desires, feelings and failures. He is the necessary darkness, which leads us to recognize the light. | |
| dc.description.resumo | A princípio uma criatura angélica, o Diabo adquiriu, ao longo da Idade Média, através do imaginário ocidental, aspectos assombrosos e animalescos, além do status de ser poderoso que antagoniza com Deus e persegue os homens. Todavia, a partir dos séculos XVII e XVIII, sua imagem, antes inflada e difundida pelo medo, passa a ser combalida pelo ideal racionalista do Iluminismo, vindo a ser retratada, no âmbito literário, como uma criatura decadente, de aparência humanizada que, por vezes, busca conhecer o homem e dialogar com ele. É através do mito de Fausto, que Satã, sob a alcunha de Mefistófeles, ganha sua ressignificação. Este trabalho tem, portanto, o objetivo de analisar duas representações do Diabo mefistofélico em duas obras literárias do século XIX, sendo estas “Fausto”, de Goethe, e “A Igreja do Diabo”, de Machado de Assis, abalizando os aspectos físicos e morais que compõem o ser que personifica o Mal, e que evidenciam sua íntima relação com os elementos que qualificam o homem. Para tanto, tomamos como base teórica as lides que se nos apresentaram em “A Simbólica do Mal”, de Paul Ricoeur, partindo dos conceitos de “mancha”, “pecado” e “culpabilidade”; além das concepções de “influências divinas” e “influências diabólicas”, postuladas por Vilém Flusser (1965) no que tange às ações humanas. O Mefistófeles, pintado pelas mãos de Goethe na obra “Fausto”, apesar de suas primeiras aparições animalescas, por fim, manifesta-se como um ser humano para o protagonista da obra. Ser diabólico em sua habilidade de persuadir, o Mefistófeles goethiano firma um pacto com Fausto, estabelecendo entre eles uma cumplicidade tamanha, que leva o homem a duvidar de sua própria índole, incapaz de afirmar seus atos como obras de influência demoníaca, ou frutos de sua própria vontade. O Diabo machadiano, por sua vez, inspirado no Mefistófeles de Goethe, é também um ser conhecedor dos prazeres mundanos, embora se mostre completamente alheio à contradição humana. Visando atrair “Faustos” para si, o Demônio cria uma doutrina com base na subversão dos sete pecados capitais, a qual é amplamente aceita pelos homens. O engano do Diabo machadiano decorre, entretanto, da crença de que a humanidade é e sempre foi má, e da imposição de seus dogmas acima da vontade humana. Ao fim da trama, Satã toma ciência de que o homem, dotado do livre-arbítrio, embora não seja uma criatura completamente boa, é também incapaz de ser unicamente maligno. O que se conclui com este trabalho é que não importa a forma que o Diabo venha a assumir, seja como uma criatura monstruosa, como um filósofo sedutor, ou uma simples ideia, ele é parte integrante do consciente do homem ocidental. É o reflexo de seus desejos mais torpes, de seus sentimentos e falhas. É a escuridão necessária, que nos leva a reconhecer a luz. | |
| dc.identifier.citation | GONÇALVES, Mayke Willy Gomes. A relação entre o humano e o diabólico em Fausto, de Goethe, e A Igreja do Diabo, de Machado de Assis. Orientador: Marcos Paulo Torres Pereira. 2023. 49 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Letras Português/Inglês) – Departamento de Letras e Artes, Universidade Federal do Amapá, Macapá, 2023. Disponível em: https://repositorio.unifap.br/handle/123456789/2183. Acesso em: | |
| dc.identifier.uri | https://repositorio.unifap.br/handle/123456789/2183 | |
| dc.publisher | UNIFAP - Universidade Federal do Amapá | |
| dc.publisher.country | Brasil | |
| dc.rights | Acesso Aberto | |
| dc.source | Via SIPAC | |
| dc.subject | Simbólica do Mal | |
| dc.subject | Mefistófeles | |
| dc.subject | A Igreja do Diabo | |
| dc.subject | Fausto | |
| dc.subject.cnpq | CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LETRAS | |
| dc.subject.ods | ODS 4 – Educação de qualidade | |
| dc.title | A relação entre o humano e o diabólico em Fausto, de Goethe, e A Igreja do Diabo, de Machado de Assis | |
| dc.type | Trabalho de Conclusão de Curso - Graduação |
